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O que a porcentagem de cacau diz (e o que não diz) sobre um chocolate

Pedaços de chocolate escuro e uma colher de cacau em pó dentro de uma tigela de metal

Entre as informações que mais aparecem na frente de uma embalagem de chocolate, a porcentagem de cacau talvez seja a mais citada: 50%, 70%, 85%. É comum tratá-la como um indicador de qualidade ou de intensidade, mas ela mede uma coisa bem específica — e entender qual é ajuda a ler esse número com mais critério.

A porcentagem indica quanto do produto, em peso, vem de ingredientes derivados do cacau. Como já contamos ao falar sobre o processo do grão à barra, depois da moagem o cacau pode ser separado em sólidos de cacau e manteiga de cacau. Esse número soma as duas partes: o que é massa de cacau e o que é manteiga de cacau adicionada. O restante, de 100% para baixo, é ocupado por outros ingredientes — adoçante, e em algumas receitas, outras gorduras ou emulsificantes.

Aqui entra o ponto que costuma gerar confusão: a porcentagem não diz como esse cacau se divide entre sólidos e manteiga. Dois chocolates de 70% podem ter perfis bem diferentes de sabor e textura, porque um tem mais sólidos, mais intensidade e amargor, e o outro tem mais manteiga de cacau, mais suavidade e brilho. Também não diz nada sobre a origem do grão, a fermentação, a torra ou o cuidado no processamento, etapas que influenciam o sabor tanto quanto a proporção.

Pilha de barras de chocolate escuro com lascas espalhadas sobre uma superfície clara

Por isso, mais cacau não é sinônimo automático de melhor, e menos cacau também não é sinônimo de pior: é uma escolha de perfil. Uma porcentagem mais alta tende a trazer um sabor mais intenso e menos doce, o que pode ser exatamente o que se procura num recheio ou numa cobertura, ou não. Na CORYO, essa escolha acontece junto com o restante da receita, já que o amargor do cacau conversa com o adoçante natural e com a gordura usada, como já explicamos ao falar de textura e de adoçantes.

Vale a ressalva de sempre: a porcentagem de cacau descreve a composição do produto, não é uma alegação nutricional, e a adequação de um chocolate à alimentação de cada pessoa varia. Para orientações individuais, o mais seguro continua sendo conversar com um nutricionista. E, na hora de escolher, vale olhar a lista de ingredientes inteira, e não só o número da frente da embalagem.

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